Voltar para Notícias
A chance dos Brics na Rio+20
24/10/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79793
Editorial do jornal O Globo de hoje (21).
Em junho do ano que vem, o Rio de Janeiro sediará a
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20), durante a qual entidades da sociedade civil e delegações dos
estados membros da ONU irão debater a relação entre sociedade, economia e
meio ambiente. Espera-se que o evento avance a agenda da Eco 92, que
foi realizada na cidade há quase 20 anos, e que os participantes
proponham novas soluções e estratégias para enfrentar os problemas do
desenvolvimento.
A Conferência é uma oportunidade única para que os Brics - Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul - influenciem o debate e
iniciativas sobre o desenvolvimento sustentável, ressaltando um dos seus
principais interesses em comum: o papel do combate à pobreza. Esta
oportunidade deve-se em parte ao peso que os Brics já têm no cenário
internacional. O agrupamento possui um PIB combinado de aproximadamente
18,5 trilhões de dólares, reúne cerca de 40% da população do mundo e
abrange mais de 25% da cobertura terrestre do planeta. Apesar de a
pegada ecológica per capita dos Brics ainda ser menor do que a dos
países industrializados, ela vem aumentando rapidamente com o acelerado
crescimento econômico do agrupamento, refletindo uma série de desafios
ambientais e sociais. É natural, portanto, que a participação destes
países na Rio+20 e na implementação de futuras medidas ambientais seja
objeto de atenção da comunidade internacional.
Além de participarem individualmente nos debates internacionais sobre
o meio ambiente (todos os Brics ratificaram o Protocolo de Kyoto), os
países do agrupamento possuem agendas de cooperação abrangentes que
incluem vários temas relacionados ao desenvolvimento sustentável. Na
cúpula mais recente dos chefes de Estado dos países Brics, realizada em
Sanya, na China, em abril, os Brics se comprometeram a colaborar no
combate à pobreza e ao aquecimento global. No que diz respeito à mudança
climática, os Brics concordaram em trabalhar pela conclusão das
negociações da Conferência de Bali, que deve conduzir a um acordo
internacional sobre aquecimento global a partir de 2013. A Declaração de
Sanya deixa claro que os Brics irão se empenhar para tanto "de acordo
com o princípio de equidade e responsabilidades comuns porém
diferenciadas". No mesmo documento, são evidenciadas preocupações
específicas - entre elas a volatilidade das commodities, inclusive dos
alimentos e da energia - que ameaçam não apenas o bem-estar dos Brics,
mas também o desenvolvimento sustentável em nível global.
A agenda de cooperação para o desenvolvimento sustentável dos Brics
não se limita à preocupação com a mudança climática. Além da defesa de
condições que possibilitem o crescimento econômico, os cinco países
compartilham o compromisso de combater a pobreza e buscar inovações para
lidar com os desafios do desenvolvimento sustentável. Esta agenda
inclui temas como mecanismos de proteção social, trabalho digno,
igualdade de gênero, juventude e saúde pública (incluindo a luta contra o
HIV/Aids). Em todas estas áreas, os Brics reconhecem a importância de
se vincular o desenvolvimento socioeconômico à preservação dos recursos
ambientais.
No entanto, sem uma coordenação prévia, os Brics correm o risco de
perder a janela de oportunidade para reformular o debate global sobre a
sustentabilidade e reforçar o papel do combate à pobreza. Para que isso
ocorra, o agrupamento deverá definir, de forma mais concreta, o conceito
de economia verde, que busca conciliar a atividade econômica com o
combate à pobreza e a preservação de recursos naturais. Esta abordagem
pressupõe que é possível alcançar crescimento econômico, sem prescindir
de melhorias no bem-estar social e do cuidado com o meio ambiente,
especialmente por intermédio de inovações tecnológicas e de melhorias na
governança global. De acordo com a ONU, a economia verde preocupa-se
com a equidade social, com os riscos ambientais e com a escassez de
recursos naturais. A implementação de práticas inovadoras depende de uma
série de fatores, entre eles investimentos adequados, legislação
apropriada e maior eficiência no aproveitamento de recursos naturais e
financeiros. Esta transição também depende do engajamento da sociedade
civil e do setor privado.
Em todas essas áreas, o Brasil e os demais Brics se empenham em
formular soluções inovadoras que possam contribuir para o debate em
nível global, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar e
energética, bem como ao acesso das populações de baixa renda aos
recursos básicos. Os Brics precisam dialogar sobre estes temas de forma
mais sistemática, encontrando posicionamentos comuns a tempo de
articulá-los durante a Rio+20. Só assim a ideia de uma transição global
para a economia verde sairá do papel.
Em junho do ano que vem, o Rio de Janeiro sediará a
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20), durante a qual entidades da sociedade civil e delegações dos
estados membros da ONU irão debater a relação entre sociedade, economia e
meio ambiente. Espera-se que o evento avance a agenda da Eco 92, que
foi realizada na cidade há quase 20 anos, e que os participantes
proponham novas soluções e estratégias para enfrentar os problemas do
desenvolvimento.
A Conferência é uma oportunidade única para que os Brics - Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul - influenciem o debate e
iniciativas sobre o desenvolvimento sustentável, ressaltando um dos seus
principais interesses em comum: o papel do combate à pobreza. Esta
oportunidade deve-se em parte ao peso que os Brics já têm no cenário
internacional. O agrupamento possui um PIB combinado de aproximadamente
18,5 trilhões de dólares, reúne cerca de 40% da população do mundo e
abrange mais de 25% da cobertura terrestre do planeta. Apesar de a
pegada ecológica per capita dos Brics ainda ser menor do que a dos
países industrializados, ela vem aumentando rapidamente com o acelerado
crescimento econômico do agrupamento, refletindo uma série de desafios
ambientais e sociais. É natural, portanto, que a participação destes
países na Rio+20 e na implementação de futuras medidas ambientais seja
objeto de atenção da comunidade internacional.
Além de participarem individualmente nos debates internacionais sobre
o meio ambiente (todos os Brics ratificaram o Protocolo de Kyoto), os
países do agrupamento possuem agendas de cooperação abrangentes que
incluem vários temas relacionados ao desenvolvimento sustentável. Na
cúpula mais recente dos chefes de Estado dos países Brics, realizada em
Sanya, na China, em abril, os Brics se comprometeram a colaborar no
combate à pobreza e ao aquecimento global. No que diz respeito à mudança
climática, os Brics concordaram em trabalhar pela conclusão das
negociações da Conferência de Bali, que deve conduzir a um acordo
internacional sobre aquecimento global a partir de 2013. A Declaração de
Sanya deixa claro que os Brics irão se empenhar para tanto "de acordo
com o princípio de equidade e responsabilidades comuns porém
diferenciadas". No mesmo documento, são evidenciadas preocupações
específicas - entre elas a volatilidade das commodities, inclusive dos
alimentos e da energia - que ameaçam não apenas o bem-estar dos Brics,
mas também o desenvolvimento sustentável em nível global.
A agenda de cooperação para o desenvolvimento sustentável dos Brics
não se limita à preocupação com a mudança climática. Além da defesa de
condições que possibilitem o crescimento econômico, os cinco países
compartilham o compromisso de combater a pobreza e buscar inovações para
lidar com os desafios do desenvolvimento sustentável. Esta agenda
inclui temas como mecanismos de proteção social, trabalho digno,
igualdade de gênero, juventude e saúde pública (incluindo a luta contra o
HIV/Aids). Em todas estas áreas, os Brics reconhecem a importância de
se vincular o desenvolvimento socioeconômico à preservação dos recursos
ambientais.
No entanto, sem uma coordenação prévia, os Brics correm o risco de
perder a janela de oportunidade para reformular o debate global sobre a
sustentabilidade e reforçar o papel do combate à pobreza. Para que isso
ocorra, o agrupamento deverá definir, de forma mais concreta, o conceito
de economia verde, que busca conciliar a atividade econômica com o
combate à pobreza e a preservação de recursos naturais. Esta abordagem
pressupõe que é possível alcançar crescimento econômico, sem prescindir
de melhorias no bem-estar social e do cuidado com o meio ambiente,
especialmente por intermédio de inovações tecnológicas e de melhorias na
governança global. De acordo com a ONU, a economia verde preocupa-se
com a equidade social, com os riscos ambientais e com a escassez de
recursos naturais. A implementação de práticas inovadoras depende de uma
série de fatores, entre eles investimentos adequados, legislação
apropriada e maior eficiência no aproveitamento de recursos naturais e
financeiros. Esta transição também depende do engajamento da sociedade
civil e do setor privado.
Em todas essas áreas, o Brasil e os demais Brics se empenham em
formular soluções inovadoras que possam contribuir para o debate em
nível global, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar e
energética, bem como ao acesso das populações de baixa renda aos
recursos básicos. Os Brics precisam dialogar sobre estes temas de forma
mais sistemática, encontrando posicionamentos comuns a tempo de
articulá-los durante a Rio+20. Só assim a ideia de uma transição global
para a economia verde sairá do papel.