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A doença fluminense
19/10/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79728
Artigo de Hélio Schwartsman, articulista da Folha de São Paulo, sobre o futuro dos recursos do pré-sal.
Essa disputa entre os estados pelos royalties do
petróleo é um dos raros casos em que nenhum dos lados envolvidos tem
razão, pelo menos a julgar pelos cânones da boa teoria econômica. Como
explica Flávia Caheté Lopes Carvalho em "Aspectos Éticos da Exploração
do Petróleo", sua dissertação de mestrado, conceitualmente os royalties
servem para compensar as próximas gerações pelo uso presente de um bem
que, por ser exaurível, não estará disponível no futuro, quando valeria
mais do que hoje.
Quem destrinchou as bases matemáticas do problema foi Harold
Hotteling (1895-1973) num texto clássico de 1931. A ideia central do
autor é que é preciso pôr um preço extra na utilização de bens
esgotáveis para estabilizar o mercado e maximizar, ao longo do tempo, os
benefícios que eles podem produzir.
É claro que apenas cobrar os royalties não basta para assegurar que o
objetivo seja alcançado. Seria necessário também aplicar os recursos em
áreas estratégicas, que preparem o país para o futuro no qual o
petróleo não mais existirá. Tipicamente, o dinheiro deveria ir para
rubricas como pesquisa, desenvolvimento tecnológico e educação. São,
afinal, conhecidos os perigos da "doença holandesa", a
desindustrialização provocada pela exploração de recursos naturais e
pelas distorções cambiais dela decorrentes.
O Brasil, contudo, deturpou inteiramente a ideia por trás dos
royalties. Os estados que hoje os recebem não pensam duas vezes antes de
empenhá-los no pagamento de despesas correntes e até no financiamento
da guerra fiscal, como vem fazendo o Rio de Janeiro. Tampouco consta que
as unidades federativas prestes a tomar sua parte no butim estejam
pensando muito seriamente em constituir fundos tecnológicos.
Mais uma vez, vamos rifando o futuro de nossos filhos e netos em troca de mais um punhado de cargos e verbas para torrar.
Essa disputa entre os estados pelos royalties do
petróleo é um dos raros casos em que nenhum dos lados envolvidos tem
razão, pelo menos a julgar pelos cânones da boa teoria econômica. Como
explica Flávia Caheté Lopes Carvalho em "Aspectos Éticos da Exploração
do Petróleo", sua dissertação de mestrado, conceitualmente os royalties
servem para compensar as próximas gerações pelo uso presente de um bem
que, por ser exaurível, não estará disponível no futuro, quando valeria
mais do que hoje.
Quem destrinchou as bases matemáticas do problema foi Harold
Hotteling (1895-1973) num texto clássico de 1931. A ideia central do
autor é que é preciso pôr um preço extra na utilização de bens
esgotáveis para estabilizar o mercado e maximizar, ao longo do tempo, os
benefícios que eles podem produzir.
É claro que apenas cobrar os royalties não basta para assegurar que o
objetivo seja alcançado. Seria necessário também aplicar os recursos em
áreas estratégicas, que preparem o país para o futuro no qual o
petróleo não mais existirá. Tipicamente, o dinheiro deveria ir para
rubricas como pesquisa, desenvolvimento tecnológico e educação. São,
afinal, conhecidos os perigos da "doença holandesa", a
desindustrialização provocada pela exploração de recursos naturais e
pelas distorções cambiais dela decorrentes.
O Brasil, contudo, deturpou inteiramente a ideia por trás dos
royalties. Os estados que hoje os recebem não pensam duas vezes antes de
empenhá-los no pagamento de despesas correntes e até no financiamento
da guerra fiscal, como vem fazendo o Rio de Janeiro. Tampouco consta que
as unidades federativas prestes a tomar sua parte no butim estejam
pensando muito seriamente em constituir fundos tecnológicos.
Mais uma vez, vamos rifando o futuro de nossos filhos e netos em troca de mais um punhado de cargos e verbas para torrar.