Voltar para Notícias

Ainda em obras, novas federais já têm 10% dos alunos

11/10/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79630
Mais de 40
cidades, a maioria do interior do País, entraram no mapa do ensino
superior público desde 2005, com a ampliação e a abertura de 14
universidades federais, distribuídas em mais de cem campi.
Se a infraestrutura ainda é um problema, o número
de alunos tem crescido. Desde o primeiro ano letivo de funcionamento das
novas universidades em 2006 até hoje, as matrículas saltaram de 25 mil
para mais de 80 mil, fatia de quase 10% de todas as vagas na rede de
ensino superior federal, que conta hoje com 59 instituições.
 
No período, a concorrência do vestibular também cresceu. Na
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, que passou
por ampliação em 2008, a relação candidato/vaga para medicina é de 59,3.
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o mesmo índice é
de 45,3; na Universidade de São Paulo (USP) a concorrência é de 67
vestibulandos para cada vaga. Como em outras universidades, a procura é
baixa nos cursos de licenciatura.
 
O processo seletivo via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o
bacharelado interdisciplinar (BI) de ciência e tecnologia da
Universidade Federal do ABC (UFABC) foi o mais disputado do país este
ano, com a marca de 11 alunos por vaga. O que atrai o aluno é a proposta
de grade curricular livre do bacharelado, que oferece formação geral
nos três primeiros anos seguida de uma especialização. Primeira a
implantar o projeto pedagógico em 2005, ano de sua fundação, a UFABC já
"exportou" o modelo para outras 14 universidades e colabora na
implantação do bacharelado interdisciplinar em instituições
particulares.
 
Esse modelo se propõe a integrar conhecimentos na formação inicial do
aluno e reforçar o estudo específico na parte final. Na UFABC, a ênfase
dos bacharelados está nas engenharias e no curso ciências da
computação, estratégia que atende a demanda por mão de obra qualificada
nas indústrias do ABC paulista. "Tenho vários colegas estagiando em
grandes empresas, como Siemens e ABB", conta Marco Camargo, aluno da
UFABC.
 
A oferta de cursos de graduação nas novas universidades foi pensada
conforme a localização e as principais características para o
desenvolvimento regional. No interior do Rio Grande do Norte, as
graduações de agronomia e engenharia do petróleo da Universidade Federal
do Semi-Árido estão associadas ao forte mercado agrícola e aos projetos
da Petrobras na região. Instalada em diversos campi espalhados pelo
interior do Rio Grande do Sul, Paraná e de Santa Catarina, a nova
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) foi criada a partir da
demanda de movimentos sociais e de prefeituras.
 
Em Santarém, todos os cursos oferecidos pela Universidade Federal do
Oeste do Pará (Ufopa), aberta em 2009, têm abordagem relacionada à
floresta amazônica. "Hoje há carência profissional na região nos
projetos de geração de energia, por isso formatamos nossas engenharias
para contemplar manejo florestal e aspectos hídricos específicos. Temos a
maior bacia hidrográfica do planeta, mas nunca tivemos cursos
específicos. Criamos os programas de piscicultura e aquicultura, áreas
que poderiam ter um mercado forte de exportação se produzisse em grande
escala", diz José Oliveira Aquino, pró-reitor de ensino da Ufopa.
 
O maior problema da expansão das universidades federais é a
infraestrutura. Sem exceção, as 14 novas instituições são verdadeiros
canteiros de obras e a grande maioria apresenta atraso nas construções, o
que implica em salas de aula improvisadas, ausência de laboratórios
adequados e uma lista de precariedades no serviço cotidiano, como
problemas na biblioteca, na moradia estudantil, restaurante
universitário.
 
De acordo com monitoramento do Ministério da Educação (MEC), o
projeto de expansão de toda a rede federal demanda uma área construída
de 3,5 milhões de metros quadrados, com mais de 30 obras paradas
atualmente. "Já foram entregues 1,6 milhões de metros quadrados, mas
estamos monitorando os atrasos, que ocorrem por causa de problemas de
cumprimento de contrato por parte das empreiteiras", justifica Luiz
Cláudio Costa, secretário de ensino superior do MEC. "Saímos de um
patamar muito baixo, com orçamento limitado e sem capacidade
operacional. As universidades tiveram que reaprender a investir,
reorganizar seus setores de engenharia, de compras. Os transtornos são
legítimos, mas precisamos resolver", completa.
 
Desde o início do ciclo de expansão do ensino superior federal, o
orçamento de toda a rede cresceu 94% em valores correntes, de R$ 12,5
bilhões em 2006 para R$ 24,2 bilhões este ano, segundo lançamento na Lei
Orçamentária Anual (LOA). Em igual período, os recursos das 14 novas
instituições registrou alta de 370%, saindo de R$ 404 milhões para R$
1,9 bilhão.
(Valor Econômico)
Menu Principal

Minha Conta

Seu Carrinho

0 item(s)

Faça login para ver seu carrinho.

Entrar
Subtotal R$ 0,00

Frete e descontos calculados no checkout.

Finalizar Compra