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Mais da metade dos alunos não sabe resolver operações matemáticas básicas
29/08/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79012
Prova ABC avaliou desempenho de recém-alfabetizados; em leitura, resultado foi melhor: 56,1% mostraram dominar a língua.
Resultados de um teste aplicado em seis mil alunos
de todas as capitais e do Distrito Federal mostram que 57,2% dos
estudantes do 3 º ano do ensino fundamental - a antiga 2ª série - não
conseguem resolver problemas básicos de matemática, como soma ou
subtração. Inédita no País, a Prova ABC também avaliou a aprendizagem de
leitura e escrita. "A dificuldade é na hora de fazer a conta do 'vai
um'", explicou ontem, em São Paulo, na divulgação dos resultados, o
professor Rubem Klein, da Fundação Cesgranrio, referindo-se à soma de
números superiores a uma dezena.
A Prova ABC, ou Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de
Alfabetização, foi realizada pelo movimento Todos Pela Educação, em
parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), a Fundação Cesgranrio e o Instituto Paulo
Montenegro/Ibope. O teste foi aplicado no início deste em estudantes de
250 escolas, conforme a proporção em cada rede (privada, estadual e
municipal).
Em matemática, a média nacional de alunos do terceiro ano (2ª série)
que aprenderam o esperado foi de 42,8%, o que significa que 57,2% não
sabem o mínimo adequado para este período do aprendizado. As escolas
privadas tiveram média de 74,3%, e as públicas, de apenas 32,6%, uma
diferença de 41,7 pontos percentuais.
"Temos de levar em consideração que os professores dessas primeiras
séries são formados em Pedagogia, curso que atrai pessoas de classes
mais baixas e que não tiveram boa formação em matemática. É um ciclo
vicioso que precisa ser rompido", analisou o professor Paulo Horta, do
Inep.
Teste de leitura: 43,9% não aprenderam o suficiente - A
média nacional na prova de leitura foi 56,1%. Isso quer dizer que o
restante, ou seja, 43,9% dos alunos, não aprenderam o suficiente. O
índice dos que aprenderam o esperado chegou a 79% nas escolas
particulares. Já nas públicas ficou em 48,6%.
Em escrita, o índice nacional dos que aprenderam o esperado caiu para
53,4%, ou seja, 46,6% não tiveram o aprendizado adequado. Nas escolas
privadas, o aproveitamento foi 82,4%; nas públicas, 43,9%. "Mesmo com um
índice melhor das escolas privadas, que são o objetivo dessa nova
classe média para os seus filhos, elas não chegaram a 100%. E 100%
significa apenas o que é esperado que as crianças tenham aprendido. No
geral, a Prova ABC mostrou que as crianças que frequentam os três
primeiros anos da escola não estão tendo garantido o direito básico que
tem à aprendizagem", observou a diretora-executiva do Todos Pela
Educação, Priscila Cruz.
Assim como em outros índices da educação brasileira, o desempenho dos
alunos do Sul e do Sudeste superou na Prova ABC os resultados das
crianças do Norte e Nordeste, conforme o modelo do Sistema de Avaliação
da Educação Básica (Saeb). A nota média nacional em matemática foi
171,07 (o desejado era 175), mas no Sul chegou a 185,64 e, no Sudeste, a
179,06. Por outro lado, foi bem menor no Norte (152,62), no Nordeste
(158,19).
Regionalmente ainda os resultados da prova de leitura, conforme a
escala Saeb de 175 pontos, não foram diferentes. No Sul a média foi
197,93, enquanto no Nordeste chegou a 167,37, uma diferença de 30
pontos. No Centro-Oeste a nota foi 196,57, no Sudeste 193,57 e no Norte
172,78.
Na prova de escrita - cuja nota média para um nível de aprendizagem
considerado exitoso é 75, em uma escala de 0 a 100 - o Sudeste atingiu a
média de 77,2 - uma diferença de 27 pontos em relação aos 50,2 do
Nordeste.
Média nas escolas privadas foi 211; nas públicas, 158 - A
metodologia da Prova ABC leva em conta a mesma escala Saeb, responsável
por compor a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb), que é o principal indicador de qualidade da educação do País.
Nessa prova, como no Saeb, os alunos precisaram obter um resultado igual
a 175 pontos para que o aprendizado equivalente ao terceiro ano (ou
segunda série) seja considerado suficiente. Na prova escrita, no
entanto, que foge do padrão Saeb, a nota média considerada de bom
desempenho foi 75.
Por nota, a média nacional em matemática foi 171,1 (211,2 para
escolas privadas e 158 para as públicas. Na prova de leitura, a nota
média do País foi 185,8 (216,7 para as particulares e 175,8 para as
públicas). Com outra escala de pontos, na prova escrita a nota média foi
68,1 (86,2 na rede privada e 62,3 na pública).
Em matemática, para conseguir os 175 pontos, as crianças teriam que
demonstrar domínio de soma e subtração resolvendo problemas envolvendo,
por exemplo, notas e moedas. Na prova de leitura, os alunos deveriam
identificar temas de uma narrativa, identificar características de
personagens em textos, como lendas, fábulas e histórias em quadrinhos, e
perceber relações de causa e efeito nas narrativas Já na escrita foram
exigidas três competências: adequação ao tema e ao gênero, coesão e
coerência e registro (grafia, normas gramaticais, pontuação e
segmentação de palavras).
(O Globo)
Resultados de um teste aplicado em seis mil alunos
de todas as capitais e do Distrito Federal mostram que 57,2% dos
estudantes do 3 º ano do ensino fundamental - a antiga 2ª série - não
conseguem resolver problemas básicos de matemática, como soma ou
subtração. Inédita no País, a Prova ABC também avaliou a aprendizagem de
leitura e escrita. "A dificuldade é na hora de fazer a conta do 'vai
um'", explicou ontem, em São Paulo, na divulgação dos resultados, o
professor Rubem Klein, da Fundação Cesgranrio, referindo-se à soma de
números superiores a uma dezena.
A Prova ABC, ou Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de
Alfabetização, foi realizada pelo movimento Todos Pela Educação, em
parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), a Fundação Cesgranrio e o Instituto Paulo
Montenegro/Ibope. O teste foi aplicado no início deste em estudantes de
250 escolas, conforme a proporção em cada rede (privada, estadual e
municipal).
Em matemática, a média nacional de alunos do terceiro ano (2ª série)
que aprenderam o esperado foi de 42,8%, o que significa que 57,2% não
sabem o mínimo adequado para este período do aprendizado. As escolas
privadas tiveram média de 74,3%, e as públicas, de apenas 32,6%, uma
diferença de 41,7 pontos percentuais.
"Temos de levar em consideração que os professores dessas primeiras
séries são formados em Pedagogia, curso que atrai pessoas de classes
mais baixas e que não tiveram boa formação em matemática. É um ciclo
vicioso que precisa ser rompido", analisou o professor Paulo Horta, do
Inep.
Teste de leitura: 43,9% não aprenderam o suficiente - A
média nacional na prova de leitura foi 56,1%. Isso quer dizer que o
restante, ou seja, 43,9% dos alunos, não aprenderam o suficiente. O
índice dos que aprenderam o esperado chegou a 79% nas escolas
particulares. Já nas públicas ficou em 48,6%.
Em escrita, o índice nacional dos que aprenderam o esperado caiu para
53,4%, ou seja, 46,6% não tiveram o aprendizado adequado. Nas escolas
privadas, o aproveitamento foi 82,4%; nas públicas, 43,9%. "Mesmo com um
índice melhor das escolas privadas, que são o objetivo dessa nova
classe média para os seus filhos, elas não chegaram a 100%. E 100%
significa apenas o que é esperado que as crianças tenham aprendido. No
geral, a Prova ABC mostrou que as crianças que frequentam os três
primeiros anos da escola não estão tendo garantido o direito básico que
tem à aprendizagem", observou a diretora-executiva do Todos Pela
Educação, Priscila Cruz.
Assim como em outros índices da educação brasileira, o desempenho dos
alunos do Sul e do Sudeste superou na Prova ABC os resultados das
crianças do Norte e Nordeste, conforme o modelo do Sistema de Avaliação
da Educação Básica (Saeb). A nota média nacional em matemática foi
171,07 (o desejado era 175), mas no Sul chegou a 185,64 e, no Sudeste, a
179,06. Por outro lado, foi bem menor no Norte (152,62), no Nordeste
(158,19).
Regionalmente ainda os resultados da prova de leitura, conforme a
escala Saeb de 175 pontos, não foram diferentes. No Sul a média foi
197,93, enquanto no Nordeste chegou a 167,37, uma diferença de 30
pontos. No Centro-Oeste a nota foi 196,57, no Sudeste 193,57 e no Norte
172,78.
Na prova de escrita - cuja nota média para um nível de aprendizagem
considerado exitoso é 75, em uma escala de 0 a 100 - o Sudeste atingiu a
média de 77,2 - uma diferença de 27 pontos em relação aos 50,2 do
Nordeste.
Média nas escolas privadas foi 211; nas públicas, 158 - A
metodologia da Prova ABC leva em conta a mesma escala Saeb, responsável
por compor a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb), que é o principal indicador de qualidade da educação do País.
Nessa prova, como no Saeb, os alunos precisaram obter um resultado igual
a 175 pontos para que o aprendizado equivalente ao terceiro ano (ou
segunda série) seja considerado suficiente. Na prova escrita, no
entanto, que foge do padrão Saeb, a nota média considerada de bom
desempenho foi 75.
Por nota, a média nacional em matemática foi 171,1 (211,2 para
escolas privadas e 158 para as públicas. Na prova de leitura, a nota
média do País foi 185,8 (216,7 para as particulares e 175,8 para as
públicas). Com outra escala de pontos, na prova escrita a nota média foi
68,1 (86,2 na rede privada e 62,3 na pública).
Em matemática, para conseguir os 175 pontos, as crianças teriam que
demonstrar domínio de soma e subtração resolvendo problemas envolvendo,
por exemplo, notas e moedas. Na prova de leitura, os alunos deveriam
identificar temas de uma narrativa, identificar características de
personagens em textos, como lendas, fábulas e histórias em quadrinhos, e
perceber relações de causa e efeito nas narrativas Já na escrita foram
exigidas três competências: adequação ao tema e ao gênero, coesão e
coerência e registro (grafia, normas gramaticais, pontuação e
segmentação de palavras).
(O Globo)