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EUA querem parceria com Brasil para criar mercado global de etanol

19/08/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78896
Daniel Poneman: "Podemos encontrar mais mercados no mundo para o etanol e expandir a demanda".
Os Estados Unidos querem acelerar projetos de
cooperação com o Brasil na área de biocombustíveis para explorar
terceiros mercados e criar um mercado global de etanol. Apesar da
recente crise de oferta no Brasil e das incertezas que ainda cercam a
manutenção dos subsídios nos EUA, o governo americano buscará a
transformação do etanol em commodity, assegura Daniel Poneman, número 2
do Departamento de Energia.
 
"É nosso objetivo ver a sua 'commoditização'. Podemos encontrar mais
mercados no mundo e expandir a demanda", disse o secretário-adjunto de
Energia, após reuniões com autoridades brasileiras, que encerraram
visita de três dias ao país.
 
Poneman e o secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio
Zimmermann, lançaram um Diálogo Estratégico de Energia que engloba
quatro áreas: biocombustíveis e energias renováveis; petróleo e gás
natural; eficiência energética; e energia nuclear. Esse mecanismo
aprofunda o memorando de entendimentos na área de etanol, assinado em
2007, que previa cooperação em pesquisa, padronização do produto e
desenvolvimento de produção em terceiros mercados. Os presidentes Barack
Obama e Dilma Rousseff, no encontro que tiveram em março, prometeram
dar novo impulso ao acordo.
 
Poneman diz que os dois países devem expandir, para outros países, a
cooperação que já têm para desenvolver a produção de etanol na América
Central e no Caribe. Também pediu ênfase na definição de padrões e
normas técnicas. Sem isso, acredita, será difícil colocar
biocombustíveis no mercado internacional. "Uma das questões importantes
que devemos levar em conta é estabelecer normas e padrões para que, por
exemplo, veículos flex fuel possam aceitar diferentes biocombustíveis",
diz.
 
Para ele, dificuldades momentâneas em suprir a demanda - como a
recente crise de oferta na entressafra brasileira - não devem ser vistas
como impedimento para transformar o etanol em commodity negociada
internacionalmente. Poneman destaca a importância de desenvolver formas
mais competitivas de produção, especialmente com a nova geração de
etanol, e estimular novas demandas, como a aplicação de biocombustíveis
na aviação, alvo de parceria entre Embraer e Boeing.
 
De acordo com ele, os EUA acabaram de entrar na segunda rodada de
aumento dos padrões de eficiência exigidos da indústria de veículos, que
elevarão o gasto de combustível para cerca de 23 quilômetros por litro
até 2025. Isso também pode gerar demanda adicional para biocombustíveis
que possam ser misturados à gasolina.
 
Nesta semana, Obama anunciou a distribuição de subsídios no valor de
US$ 510 milhões para estimular a produção de biocombustíveis que não
sejam processados a partir do milho. Os recursos cobrirão os custos de
construção e readequação de refinarias para os chamados biocombustíveis
avançados, produzidos a partir de resíduos de animais, algas e outros
materiais. O produto resultante poderá ser usado em aeronaves, navios e
outros equipamentos.
 
Para Poneman, o Brasil será um "grande fornecedor" de petróleo dos
EUA, com o desenvolvimento do pré-sal. Ele garante que as regras do
setor agradam às petrolíferas americanas. "As empresas estão muito
entusiasmadas com as oportunidades que veem aqui."
(Valor Econômico)
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