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O risco nuclear

07/04/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=77039
Artigo de Joaquim Francisco de Carvalho*, no jornal O Globo desta 2ª feira (4).<BR><BR>
<P>Fala-se pouco sobre a gravidade e o número de acidentes nucleares, mas a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) recebe cerca de 10 a 15 notificações, por ano. Os mais graves foram o de Three Mile Island e o de Chernobyl. O de Three Mile Island por pouco não comprometeu a saúde de milhares de pessoas na Pensilvânia.</P>
<P>O de Chernobyl provocou a morte imediata de 47 funcionários e operadores que estavam na usina e de bombeiros que chegaram para combater as chamas. E a explosão de hidrogênio e a combustão da grafita usada para moderar aquele reator produziram uma nuvem que carregou produtos de fissão altamente ativos como o césio-137 e o estrôncio-90 para boa parte da Europa. Alguns desses produtos ainda são encontrados nos solos e contaminam alimentos na Ucrânia e na Bielorússia.</P>
<P>Outros acidentes sérios foram os de Forsmark, Tokaimura, Bohunice, Erwin e Mayak. Estes ficaram pouco falados, mas agora Fukushima vem lançar os acidentes nucleares às primeiras páginas. Não existe máquina infalível nem obra de engenharia 100% segura. Haja vista os inúmeros acidentes de avião, automóvel e trem, que acontecem pelo mundo. Os acidentes nucleares têm dimensões que os outros não têm. Eles se propagam pelo espaço - continentes inteiros - e pelo tempo (décadas, senão séculos).</P>
<P>Um desastre de avião, por exemplo, atinge diretamente os passageiros e, indiretamente, seus próximos, que ficam. Por mais traumático que seja este tipo de acidente termina no local e no instante em que acontece. Um acidente em central nuclear apenas começa no instante e no local em que ocorre. Alguns anos depois centenas de pessoas em regiões inteiras sofrerão males induzidos por exposição a radiações ionizantes. E em algumas décadas crianças nascerão com aberrações cromossômicas e desenvolverão leucemia e desordens endócrinas e imunológicas, provocadas pela absorção, por seus genitores, de doses de radiação acima do tolerável, como acontece até hoje em consequência de Chernobyl, com a população que permaneceu nas cidades próximas.</P>
<P>O Brasil não precisa correr o risco de acidentes em usinas nucleares, pois aqui a energia pode vir praticamente toda de um sistema hidroeólico, com mínima complementação térmica a gás natural. Dessa forma será possível "armazenar" parte do imenso potencial eólico brasileiro em reservatórios hidrelétricos, aumentando significativamente o fator de capacidade do sistema elétrico interligado.</P>
<P align=left><FONT size=1>* Joaquim Francisco de Carvalho foi diretor industrial da Nuclen (atual Eletronuclear) e presidiu a comissão provisória criada pela Presidência da República para avaliar o acidente com césio-137, em Goiânia.</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Globo - 4/4)</FONT></P>
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