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Bahia inicia uso de inseto transgênico contra dengue

25/02/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76533
Cerca de 10 mil mosquitos foram soltos com a "missão" é fecundar fêmea normal, Cujos filhotes morrem antes de chegar à fase adulta, o que reduziria a população do animal.<BR><BR>
<P>Em busca de um novo método para a erradicação do mosquito <EM>Aedes aegypti</EM>, pesquisadores estão soltando uma versão transgênica do inseto em bairros de Juazeiro (BA). O bicho geneticamente modificado gera filhotes que não chegam à fase adulta.</P>
<P>A iniciativa, coordenada pela bióloga Margareth Capurro, pesquisadora da USP, foi aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).</P>
<P>Os cientistas misturam material genético de drosófilas, conhecidas popularmente como moscas-das-frutas, ao do <EM>A. aegypti.</EM> A transformação faz com que seus filhotes produzam uma proteína que causa sua morte ainda no estágio larval ou de pupa (a fase de casulo).</P>
<P>Em laboratório, os embriões são produzidos pela Biofábrica Moscamed, em Juazeiro (BA), e identificados com um marcador fluorescente. Por diferença de tamanho em relação às fêmeas, os machos - que se alimentam de néctar e sucos vegetais - são isolados antes da fase adulta, quando serão liberados no ambiente.</P>
<P>Eles serão soltos em cinco bairros da cidade. Lá, concorrerão para procriarem com as fêmeas, o que, em longo prazo, deve reduzir a população local dos insetos. A previsão é de liberação de 50 mil mosquitos por semana nesses locais, e a conclusão do estudo está prevista para 18 meses após o início do procedimento.</P>
<P>Os primeiros 10 mil mosquitos já foram soltos na segunda-feira (21), no bairro de Itaberaba. Amanhã (25), serão liberados mais oito mil no mesmo local.</P>
<P><STRONG>Riscos</STRONG></P>
<P>A princípio, a liberação de espécimes do <EM>Aedes aegypti</EM> nessas regiões apresentaria dois riscos: aumento da incidência da dengue e desequilíbrio ambiental.</P>
<P>Ambos, diz Capurro, são praticamente nulos. "Os mosquitos machos não se alimentam de sangue, por isso não transmitem a doença, e sua única função é copular com as fêmeas", afirma.</P>
<P>Além disso, o <EM>A. aegypti</EM> não é nativo do Brasil e encontrou um ambiente ideal porque não possui predadores naturais por aqui. "Os mosquitos transgênicos vivem por aproximadamente sete dias e não deixam descendentes. Para retirá-los da população de insetos do local, basta parar de abastecê-la com novos indivíduos."</P>
<P>Ela destaca as vantagens do procedimento. Apesar de mais caro, pode substituir inseticidas e larvicidas, reduzindo o lançamento de possíveis poluentes no ambiente.</P>
<P>"O que essas substâncias fazem é selecionar indivíduos resistentes, que não morrem com os produtos", aponta a bióloga.</P>
<P><FONT size=1>(Folha de São Paulo)</FONT></P>
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