Voltar para Notícias
Emissões de gases-estufa caem 19% e chegam ao menor nível desde 1995
28/10/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74334
Estimativa, anunciada na terça-feira (26/10) pelo Planalto, indica que o país poderá cumprir metas voluntárias para 2020; o maior vilão é o desmatamento, que respondeu por 61% do lançamento de gás carbônico na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global<BR><BR>
<P>Estimativa da quantidade de gases causadores de efeito estufa lançados na atmosfera pelo Brasil indica que as emissões de carbono caíram 19% em quatro anos. Além disso, no ano passado foi registrado o menor nível de emissões desses gases desde 1995.</P>
<P>Anunciada pelo governo a menos de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Cancún, no México, essa estimativa aponta que o Brasil poderá cumprir com alguma folga as metas de redução das emissões.</P>
<P>A projeção, feita pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e lançada em cerimônia na terça-feira no Palácio do Planalto, é resultado sobretudo da queda do ritmo de desmatamento na Amazônia.</P>
<P>No ano passado, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram a menor taxa de desmatamento em 20 anos no bioma. Nova redução deverá ser anunciada no mês que vem.</P>
<P>O desmatamento ainda é a principal fonte de emissão de gás carbônico e demais gases de efeito estufa no país. Em 2005, último ano contemplado no segundo inventário nacional das emissões, a participação do desmatamento - não só na Amazônia - foi de 61%.</P>
<P>A agricultura vem logo em seguida no ranking, com 19% das emissões. O setor de energia, que inclui os poluentes lançados por carros, ônibus e caminhões, foi responsável por 15% das emissões. Processos industriais, liderados pela produção de cimento, respondem, no retrato das emissões de 2005, por 3% do total. O tratamento de resíduos, que inclui as emissões de aterros sanitários, é o setor com a menor participação.</P>
<P>Em 2005, segundo o inventário submetido à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o país emitiu 2,192 gigatoneladas de gases de efeito estufa em medida equivalente de dióxido de carbono (soma das emissões de todos os gases de efeito estufa convertida em CO2).</P>
<P>Em 2009, com base na estimativa feita por Rezende, as emissões caíram para 1,775 gigatoneladas de carbono equivalente.</P>
<P>De acordo com as metas anunciadas em novembro do ano passado, pouco antes da conferência de Copenhague, o Brasil se comprometeu a cortar entre 36% e 39% das emissões projetadas para 2020 e calculadas em 2,7 gigatoneladas de carbono equivalente. Ou seja, o país deverá chegar a 2020 com um número próximo do estimado para 2009.</P>
<P>Comemorada na cerimônia do Fórum de Mudanças Climáticas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sinal de que o Brasil está na vanguarda do debate das mudanças climáticas, a estimativa de redução das emissões é uma boa notícia, mas representa um grande desafio.</P>
<P>Para manter o nível de gases de efeito estufa lançados na atmosfera o País não terá apenas de aprofundar o combate ao desmatamento, inclusive no Cerrado, como precisará conter as emissões em setores como transportes, indústria e agricultura.</P>
<P>Quase um ano depois da sanção da lei de mudanças climáticas, que trata das metas de redução, ainda não foram definidos planos setoriais de corte das emissões.</P>
<P>Na solenidade de terça, Heloísa Menezes, diretora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alegou que a economia de baixo carbono requer estímulos oficiais e pode ter impactos sobre o ritmo de crescimento da economia.</P>
<P>Na agricultura, um dos problemas é recuperar 15 milhões de hectares (150 mil quilômetros quadrados) de pastagens degradadas, de um total de 60 milhões de hectares de terras nessas condições existentes no País.</P>
<P>Planos setoriais. Os planos setoriais para redução das emissões ainda estão em fase inicial de discussão. E o governo debate se vai lançar as metas em forma de compromissos obrigatórios, o que poderia criar dificuldades para a obtenção de verbas internacionais para projetos de cortes de emissões no país.</P>
<P>Tampouco há definição sobre o estabelecimento de um mercado de créditos de carbono no Brasil, a partir de proposta em estudo pelo Ministério da Fazenda. Com a regulamentação das metas do clima ainda em passos iniciais, o governo conta, por ora, com os resultados do combate ao desmatamento na Amazônia.</P>
<P>Na terça-feira, Lula comemorou o resultado de medidas como o monitoramento da Amazônia por satélites e o corte de crédito a produtores rurais que estejam em desacordo com a legislação ambiental. Em 2008, pressionado por proprietários de terras, Lula cogitou rever essas duas medidas.</P>
<P><FONT size=1>(Marta Salomon)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 27/10)</FONT></P>
<P>Estimativa da quantidade de gases causadores de efeito estufa lançados na atmosfera pelo Brasil indica que as emissões de carbono caíram 19% em quatro anos. Além disso, no ano passado foi registrado o menor nível de emissões desses gases desde 1995.</P>
<P>Anunciada pelo governo a menos de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Cancún, no México, essa estimativa aponta que o Brasil poderá cumprir com alguma folga as metas de redução das emissões.</P>
<P>A projeção, feita pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e lançada em cerimônia na terça-feira no Palácio do Planalto, é resultado sobretudo da queda do ritmo de desmatamento na Amazônia.</P>
<P>No ano passado, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram a menor taxa de desmatamento em 20 anos no bioma. Nova redução deverá ser anunciada no mês que vem.</P>
<P>O desmatamento ainda é a principal fonte de emissão de gás carbônico e demais gases de efeito estufa no país. Em 2005, último ano contemplado no segundo inventário nacional das emissões, a participação do desmatamento - não só na Amazônia - foi de 61%.</P>
<P>A agricultura vem logo em seguida no ranking, com 19% das emissões. O setor de energia, que inclui os poluentes lançados por carros, ônibus e caminhões, foi responsável por 15% das emissões. Processos industriais, liderados pela produção de cimento, respondem, no retrato das emissões de 2005, por 3% do total. O tratamento de resíduos, que inclui as emissões de aterros sanitários, é o setor com a menor participação.</P>
<P>Em 2005, segundo o inventário submetido à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o país emitiu 2,192 gigatoneladas de gases de efeito estufa em medida equivalente de dióxido de carbono (soma das emissões de todos os gases de efeito estufa convertida em CO2).</P>
<P>Em 2009, com base na estimativa feita por Rezende, as emissões caíram para 1,775 gigatoneladas de carbono equivalente.</P>
<P>De acordo com as metas anunciadas em novembro do ano passado, pouco antes da conferência de Copenhague, o Brasil se comprometeu a cortar entre 36% e 39% das emissões projetadas para 2020 e calculadas em 2,7 gigatoneladas de carbono equivalente. Ou seja, o país deverá chegar a 2020 com um número próximo do estimado para 2009.</P>
<P>Comemorada na cerimônia do Fórum de Mudanças Climáticas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sinal de que o Brasil está na vanguarda do debate das mudanças climáticas, a estimativa de redução das emissões é uma boa notícia, mas representa um grande desafio.</P>
<P>Para manter o nível de gases de efeito estufa lançados na atmosfera o País não terá apenas de aprofundar o combate ao desmatamento, inclusive no Cerrado, como precisará conter as emissões em setores como transportes, indústria e agricultura.</P>
<P>Quase um ano depois da sanção da lei de mudanças climáticas, que trata das metas de redução, ainda não foram definidos planos setoriais de corte das emissões.</P>
<P>Na solenidade de terça, Heloísa Menezes, diretora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alegou que a economia de baixo carbono requer estímulos oficiais e pode ter impactos sobre o ritmo de crescimento da economia.</P>
<P>Na agricultura, um dos problemas é recuperar 15 milhões de hectares (150 mil quilômetros quadrados) de pastagens degradadas, de um total de 60 milhões de hectares de terras nessas condições existentes no País.</P>
<P>Planos setoriais. Os planos setoriais para redução das emissões ainda estão em fase inicial de discussão. E o governo debate se vai lançar as metas em forma de compromissos obrigatórios, o que poderia criar dificuldades para a obtenção de verbas internacionais para projetos de cortes de emissões no país.</P>
<P>Tampouco há definição sobre o estabelecimento de um mercado de créditos de carbono no Brasil, a partir de proposta em estudo pelo Ministério da Fazenda. Com a regulamentação das metas do clima ainda em passos iniciais, o governo conta, por ora, com os resultados do combate ao desmatamento na Amazônia.</P>
<P>Na terça-feira, Lula comemorou o resultado de medidas como o monitoramento da Amazônia por satélites e o corte de crédito a produtores rurais que estejam em desacordo com a legislação ambiental. Em 2008, pressionado por proprietários de terras, Lula cogitou rever essas duas medidas.</P>
<P><FONT size=1>(Marta Salomon)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 27/10)</FONT></P>