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Brasil produz pouca inovação tecnológica e perde mercado

13/07/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72082
País pode deixar escapar oportunidades se novo presidente não reforçar setor<BR><BR>
<P>O forte crescimento brasileiro este ano, que pode ser superior a 7%, esconde uma dura realidade: a economia cada vez mais depende de produtos básicos, o que distancia o Brasil das potências tecnológicas. Apesar dos esforços recentes, o país ainda está em posição ruim no ranking mundial de patentes, e o crescimento das pesquisas ocorreu em velocidade menor do que nos países asiáticos, como Coreia do Sul, China e Índia. Especialistas dizem que o Brasil corre o risco de perder oportunidades nas novas fronteiras do conhecimento, caso o próximo presidente não reforce o setor.</P>
<P>O professor Carlos Henrique Brito Cruz, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), cita números que comprovam que o Brasil não está ganhando posições no ranking mundial da inovação.</P>
<P>Em 1994, o país pediu o registro de 60 patentes no escritório americano de propriedade intelectual (USPTO, na sigla em inglês). No ano passado, foram 106 pedidos. Entretanto, a produção do país, nesses dois momentos, representou apenas 0,06% do total mundial. A Coreia do Sul saltou de uma participação de 0,93% das patentes mundiais em 1994 para 5,24% no ano passado. O mesmo se repetiu com a China, a Espanha, a Rússia e a Índia.</P>
<P>- Há casos bem sucedidos, principalmente em áreas como o agronegócio, em petróleo e aviação, mas o problema da inovação está por se resolver. A pesquisa ainda não é parte da estratégia empresarial brasileira. O Brasil está longe das fronteiras do conhecimento. E o governo não tem metas ambiciosas, como ter quatro universidades entre as cem melhores do mundo, ao contrário de apenas uma, atualmente - diz.</P>
<P>De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), há 23 empresas que, em 2009, registraram mais patentes globais do que o Brasil. Entre as cem empresas com mais patentes registradas, nenhuma é brasileira. O mesmo se repete no ranking universitário: não há nenhuma instituição nacional entre as 52 mais produtivas do planeta.</P>
<P>Em 2009, pela primeira vez desde os anos 70, seis produtos básicos (soja, farelo, petróleo, açúcar, minério de ferro e carne de frango) responderam por um terço das exportações brasileiras. O peso dos manufaturados nas exportações, que sempre ficava entre 50% e 60% nos anos 90 e 2000, está desde 2007 abaixo de 50% das exportações - fechou 2009 no piso, 44,02%</P>
<P>Gargalos e câmbio dificultam inovação</P>
<P>O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Jorge Ávila, reconhece que o país ainda tem uma taxa de inovação abaixo de seu potencial, mas vê mudanças:</P>
<P>- O Brasil está no time dos novos inovadores, mas talvez seja o mais recente de todos. A nossa matriz nunca foi criativa, temos que mudar isso.</P>
<P>Ávila diz que os problemas de gargalos na infraestrutura do país e a taxa de câmbio, com o real valorizado, dificultam a inserção dos produtos brasileiros no mercado externo e, assim, não incentivam a pesquisa.</P>
<P>- Não podemos esquecer, contudo, que há muita tecnologia por trás de produtos básicos - disse o presidente do INPI, embora muitos especialistas afirmem que a pesquisa em produtos básicos aumenta a produtividade, não seu preço.</P>
<P>Carlos Gadelha, vice-presidente da Fiocruz, reconhece os avanços, mas afirma que, além do problema histórico, o país precisa avançar nos marcos regulatórios, para ampliar as parcerias entre instituições de pesquisa e empresas. Ele afirma que os tribunais de contas também precisam entender que as compras do setor são distintas e que, muitas vezes, o equipamento necessário não pode ser o mais barato.</P>
<P>Além disso, ele lembra que faltam recursos: - O Brasil possui um déficit comercial anual em remédios de US$ 8 bilhões. Se o investimento em pesquisa triplicasse, de R$ 200 milhões para R$ 600 milhões, o déficit do setor poderia cair até 25%, ou US$ 2 bilhões. Temos que vencer a resistência dos pesquisadores, que no Brasil sempre foram muito acadêmicos. O Brasil é mais forte em ciência do que em inovação.</P>
<P>Orçamento anual da Embrapa é de R$ 1,8 bilhão</P>
<P>O chefe da assessoria de inovação tecnológica da Embrapa, Filipe Teixeira, afirma que dinheiro, em sua instituição, não é problema: o orçamento anual está em R$ 1,8 bilhão. Mas ele afirma que a tradição brasileira tem de ser mudada:</P>
<P>- Somos o 13º país que mais publica textos acadêmicos, mas estamos na 24ª posição no ranking de patentes - disse.</P>
<P>Entre as propostas de governo registradas no TSE pelos três principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff detalhou mais as ideias para a inovação. Marina Silva (PV) também reconhece a importância do tema, e diz que o conhecimento pode ajudar na transição para uma economia mais sustentável. Já José Serra (PSDB) cita a importância de se priorizar a renovação do ciclo de riqueza.</P>
<P><FONT size=1>(Henrique Gomes Batista)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Globo, 11/7)</FONT></P>
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